Quinta-feira, 29 de Março de 2012

 

Como é que a morte de um adolescente pode aumentar as vendas de uma marca de doces? E como é que a mesma ligação pode ameaçar a imagem dessa marca?

 

Estas são duas questões a que a Skittles aparentemente não estava preparada para responder. Mas, afinal, que marca estaria?

 

Trayvon Martin era um jovem afro-americano, de 17 anos, como tantos outros. Mas com a sua morte, no passado dia 26 de fevereiro, veio reabrir velhas feridas na sociedade americana. O crime, cujos contornos exatos ainda estão por explicar – e talvez nunca venham a ser explicados na totalidade – trouxe a público o debate sobre o racismo. Poderá Trayvon ter sido confundido com um criminoso pelo vigilante que o matou pelo simples facto de ser negro? As versões das testemunhas são inconsistentes, há quem jure ter ouvido o jovem pedir socorro antes de morrer. O vigilante garante que Trayvon o terá atacado e que terá sido obrigado a disparar para salvar a própria vida.

 

Enquanto a morte de Trayvon não é explicada, as homenagens e os protestos sucedem-se. E a Skittles, sem querer, acabou por se tornar um símbolo da morte do jovem que tinha consigo um pacote dos populares doces.

 


 

“Os doces têm sido empulhados em memoriais, enfiados nos bolsos de milhares de pessoas que apareceram em marchas em seu nome e enviados para o Departamento de Polícia de Sanford para protestar contra a falta de uma detenção no caso [o vigilante não foi preso]. Como a camisola de capuz que [Trayvon] estava a usar, os doces foram transformados num ícone cultural, um símbolo de injustiça racial que sublinha a juventude de Trayvon e as circunstâncias em torno da sua morte. Mas nos escritórios da empresa que fabrica os Skittles, a Wrigley, e na sua empresa-mãe, a Mars, o novo nível de fama da Skittles tornou-se rapidamente uma crise de marketing que ameaça danificar a empresa ainda que as vendas estejam a aumentar”, escreve Kim Severson, no New York Times.

 

O grande problema que a Skittles tem, agora, em mão, são as acusações de que estará a lucrar com a tragédia de Trayvon e que, assim sendo, deveria doar esse dinheiro à família de Trayvon ou a organizações que têm como objetivo promover a reconciliação racial. “Alguns afro-americanos estão inclusive a pedir às pessoas que parem de comprar Skittles até a companhia se envolver mais na sua causa e doar dinheiro”, refere a jornalista do NYTimes.

 

Na página do facebook da Skittles, os protestos eram bem visíveis:

 


 

Sem saber como lidar com a situação, a Skittles limitou-se a publicar um comunicado: “Estamos profundamente tristes com a notícia da morte de Trayvon Martin e exprimimos as nossas sinceras condolências à sua família e amigos. Também respeitamos a sua privacidade e consideramos inapropriado envolvermo-nos mais ou proferirmos mais comentários [acerca deste assunto], já que nunca quereríamos que as nossas ações fossem interpretadas como uma tentativa de lucrar com esta tragédia”.

 

David Gianatasio, da Adweek, é definitivo no seu comentário: “Com todo o respeito pelas marcas, isto não é uma situação comum e publicar umas linhas previsíveis ditadas pelo departamento legal não vai resolvê-la. O que temos aqui é uma falha de comunicação – e parece que comunicação genuína é exatamente o que as massas estão a pedir. Aqui está um exemplo da desconexão: o item principal no feed do Twitter da Skittles nas últimas 12 horas dizia: “Não detestam quando não conseguem encontrar aquele portal para um universo paralelo marcado para HÁ DEZ SEGUNDOS ATRÁS?” Este tipo de baboseiras parece retirado de um universo paralelo onde os atuais títulos dos jornais (“O pesadelo de publicidade de Trayvon Martin da Skittles”, “Facebook da Skittles bombardeado por apoiantes de Trayvon”) não existem. Esta atenção não vai diminuir tão depressa e é importante que as marcas se cheguem à frente agora. As circunstâncias não têm precedentes – então, quebrem com os precedentes. É suposto os media sociais serem acerca de envolvimento – então, envolvam-se. Não o fazer de forma mais humana, direta e expansiva sugere que as marcas não se interessam e isso corrói a equidade. O que elas [marcas] escolherem fazer é, em última instância, uma escolha delas. A julgar pela hostilidade contínua que tem sido lançada na sua direção, eu sugeriria que começassem por fazer mais”.

 

 

Fontes: Adweek

 

             International Business Times  

             Buzzfeed 

             The Miami Herald 

             New York Times

 

 



publicado por blatitudes às 16:44 | link do post | comentar

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